Um pinote com o terço nas mãos
A falta de planejamento e a má gestão, por conseguinte a flagrante incompetência exposta pela administração municipal, fazem da capital mineira um escracho urbano. A Praça da Liberdade, área nobre da cidade, recebeu uma nova pavimentação. Ela custou a receber uma outra sinalização de chão, o que já estava errado. Quando se promove alguma mudança no cenário da capital mineira as etapas não se desdobram em concomitância. Há um hiato enorme entre as intervenções até que se chegue à normalidade. Asfalto novo, novas faixas de pedestres e… Não existe semáforo para os caminhantes na esquina de Rua Gonçalves Dias e Avenida João Pinheiro, em frente ao velho Xodó. Para se tomar um milk-shake de morango ou comer um misto árabe na tradicional lanchonete é preciso dar um pinote na frente dos carros.
O requinte do Poder Executivo de MG
São pouquíssimas as pessoas com acesso ao gabinete do governador Antônio Augusto Anastasia (PSDB), no quarto andar de um dos prédios do Centro Administrativo, em Venda Nova. O espaço ocupado pelo Chefe do Executivo é amplo, ostenta enorme mesa para despachos com grupo restrito de pessoas, além de recheado de obras de arte. Num dos cantos da sala, decorada com extremo bom gosto, existe um belo jogo de sofás para uma conversa mais descontraída. Todo o ambiente, na verdade, resulta na fusão do mobiliário moderno com o barroco. A antiga bandeira de seda do Estado, uma relíquia, fica próxima à sua mesa, ao lado da flâmula estilizada do Estado, assim como do pavilhão brasileiro. A cadeira do governador, em couro, é semelhante à de qualquer mortal bem-sucedido na vida. O telefone, por outro lado, é cheio de das firulas tecnológicas. Atrás de sua mesa, em um vasto aparador, AAA não esconde sua preferência pelo Clube Atlético Mineiro. Uma pequena bandeira do Galo tremula em sua extremidade.
A arma do sistema
No Brasil, estamos vivendo um verdadeiro estado de guerra entre as grandes empresas midiáticas. Essas corporações parecem esquecer a função social da comunicação e se aliam a políticos e empresas, usando de seu poder para manipular a massa conforme os seus interesses. A presença da revista Veja no escândalo Cachoeira é a comprovação, inquestionável, que não se trata apenas de um semanário informativo, mas, também, de uma arma política. Veja x Carta Capital, Globo x Record… Por trás dessa falsa livre concorrência estão agremiações partidárias que “adotam” sua revista ou seu canal de tevê para mostrar à população aquilo que lhes interessa, claro, deixando obscuro o necessário para o seu entendimento. Se se pode confundir, para que esclarecer. O contexto político é apenas um dos exemplos de uma guerra nada saudável travada na indústria da informação. O esporte, a moda e a cultura, a título de ilustração, são moldados de acordo com as manchetes ilusórias. A sociedade brasileira precisa tomar consciência do que se passa por detrás de cada página de revista ou jornal ou nas matérias fugazes da televisão e rádio. Saber separar o joio do trigo é fundamental na formação da cidadania. A mídia brasileira tem uma tendência histórica de servir ao poder, talvez por instinto de sobrevivência. A informação direcionada, contudo, não pode continuar sendo uma arma do sistema. A notícia, quando imparcial, pautada na veracidade dos fatos, é um sopro de credibilidade sobre as instituições. Em um país que se quer democrático, não se pode perder este ponto de vista.
Umas pinceladas contraproducentes
Voar, voar, subir, subir, ir por onde for… canta Biafra, mas é tudo muito bom se pago pelos cofres públicos, recheados com os impostos dos cidadãos-contribuintes. Neste sentido, os gastos do Governo Federal com o pagamento de passagens aéreas, locomoção por veículos e diárias (alimentação, hospedagem e lavanderia) a funcionários públicos, no período de janeiro a abril de 2012, foram de R$ 441,7 milhões. Este m0ntante representa, na prática, um aumento de 21,9% se comparado ao mesmo período de 2011. É bom lembrar que, no ano passado, a União tentou reduzir suas despesas nesta seara, conforme determinação da presidente Dilma Rousseff (PT). O passar do tempo, contudo, assim como as montanhas azuis de Inimá de Paula, mostrou que a meta era uma colorida abstração do inconsciente público.
Vai sobrar para todos nós
Com alta popularidade, a presidente Dilma Rousseff (PT) começa a ver que não há mal que nunca se acabe, assim como não há bem que para sempre dure. O otimismo reinante entre os membros de sua gestão não é suficiente para deslanchar o crescimento da economia. No orçamento deste ano, por exemplo, eram premissas o crescimento do PIB em 5% e o da inflação de 4,5%, mas no momento a realidade aponta para um PIB de 3% e uma inflação de 5,2%. O comércio varejista cresce pouco. A venda de veículos despencou e o emprego com carteira assinada ficou aquém dos últimos anos. A queda de juros com ofertas de crédito amplo não encorajam tanto os inadimplentes em números crescentes. Até a tão cobrada valorização do dólar frente ao real, apontada como causa principal da desindustrialização, agora assusta os índices da inflação, já que a indústria usa em torno de 20% de componentes importados. O dragão começa a cuspir fogo pelas narinas. O desafio do Governo Federal é grande. A crise na Europa, com capítulo especial protagonizado pela Grécia, pede solução de continuidade. Não basta apagar o incêndio com extintor. E mais ainda, fica claro que o tropeço mundial atingiu o Brasil, apesar do esforço do ministro da Fazenda, Guido Mantega, de parecer justamente o contrário.
A graduação da incompetência
A Sudecap continua a fazer das suas cagadas pela capital mineira, por meio das empreiteiras que trabalham para a municipalidade, embora tenha em seu quadro excelentes profissionais da engenharia. Partiu deste espaço a denúncia, inclusive com foto, basta rolar o mouse para conferir aqui, que na esquina de Rua Tupis com Avenida Bias Fortes havia buraco destruidor de carros e, principamente, motocicletas. Como o pára-choque do veículo de duas rodas é o focinho do piloto, imagine, então, o perigo do estrago. A cratera nasceu depois que a PBH autorizou um novo recapeamento para aquela rua. A grade que esconde um canal, cujas águas se destinam ao leito do poluído Ribeirão Arrudas, ganhou vários centímetros de altura com o asfalto novo. A ponto de os veículos baterem o fundo quando atravessam o lugar. A administração municipal bem que tentou, mas não conseguiu resolver o problema ao dar uma desbastada no chão. Esta aplainada de nada adiantou, pois o incauto pode, por distração, ser catapultado ao inferno, sem perceber o obstáculo.
É como escarrar no tapete de sua casa
“A minha vida é subir Bahia e descer Floresta”, resmungou Rômulo Paes, poeta, radialista, vereador e compositor de músicas de carnaval. A frase foi gravada em sua homenagem na chapa de aço localizada na esquina de Avenida Álvares Cabral com Ruas Guajajaras e Bahia, nas proximidades da Faculdade de Direito da UFMG, no hipercentro de BH. Na parte de trás do monumento, contudo, existe uma pichação que faz referência ao uso da maconha, com inspiração no pragmatismo vivencial do inveterado boêmio.
Uma casa portuguesa, com certeza!
O mercado imobiliário já começa a sofrer os primeiros graves tremeliques. Ações despencando na Bolsa, pedido de concordata e ameaça de quebradeira. As construtoras deitaram e rolaram no boom do mercado, até então. Aos poucos, entretanto, o nicho se acomoda, pois havia, inegavelmente, uma supervalorização e uma superprocura por imóveis. Hoje, eles começam a encalhar, mas os preços seguem em patamar acima da normalidade. Especialistas da área já projetam para depois da Copa do Mundo, em 2014, o apocalipse. Ao contrário dos EUA, despencarão várias empresas, porém sem os bancos. Não tem meu pé me dói!
Terrenos da PBH são pechincha de pai para filho
O vereador Iran Barbosa (PMDB) contratou uma consultoria na área imobiliária para respaldar tecnicamente sua denúncia de que a prefeitura de Belo Horizonte ameaça levar a hasta pública mais de uma centena de imóveis por valores bem abaixo do mercado. Segundo ele, a iniciativa é criminosa, prejudicial em todos os sentidos ao patrimônio público. Os 50 primeiros espaços urbanos de propriedade da municipalidade, avaliados por quem é do ramo, adiantou o edil, mostraram que haverá uma flagrante dilapidação dos bens públicos, pois seus preços são três vezes menores do que os praticados no mercado. Ele citou como exemplo um lote com cerca de 25 mil metros na Avenida Cristiano Machado, quase em frente ao Hotel Ouro Minas. Também no Belvedere, em área ainda maior, o descalabro se repete. Barbosa disse que a capital mineira carece de cerca de 5 mil leitos hospitalares, segundo recomendação da Organização Mundial de Saúde. Não há novos investimentos nesta área, completou, justamente por ausência de locais. Sem trocadilho, o edil prometeu não deixar barato este leilão. “BH precisa mais de hospitais do que de hotéis”, resumiu.
Banana nanica lá da Martinica
Como jogo é jogado, lambari é pescado, o diretório municipal do PT, em BH, espalhou mais uma casca de banana no caminho dos adesistas. Ou seja, daquela turma que, antecipadamente, pulou no barco do prefeito Marcio Lacerda (PSB), repelindo a ideia de uma candidatura própria. A direção marcou para o dia 10 de junho, em pleno mês das convenções, a escolha do nome para vice-prefeito na composição da chapa com o atual alcaide. Com isso, obrigou aos vários pretendentes a se desincompatibilizarem dos cargos na municipalidade, pois o prazo termina no dia 6 de junho. O coronel Virgílio Guimarães, por exemplo, defende o nome do secretário Municipal de Desenvolvimento Urbano, Murilo Valadares. Se ele não deixar o posto é carta fora do baralho, claro.
Um gesto de humildade e subserviência cristã
Uma prova de que a política em Minas se não acabou, está em seus estertores, é o fato de o ex-prefeito de BH, ex-deputado federal mais votado na história do Estado, com cerca de 500 mil votos, e ex-ministro do Desenvolvimento Social e Fome Zero (Bolsa Família), detentor de um fantástico orçamento anual de R$ 30 bilhões, Patrus Ananias, consentir que alguns de seus correligionários submetam seu nome ao processo de escolha do vice-prefeito, dentro do Partido dos Trabalhadores (PT), para compor a chapa encabeçada por Marcio Lacerda (PSB) no próximo pleito. É o fim da picada!
Está provado, quem espera nunca alcança
O presidente nacional do PRTB, Levi Fidelix, proclama a necessidade de disputar as eleições em São Paulo como candidato a prefeito, mais uma vez, embora o carimbo de derrotado seja uma sua outra marca, além do cabelo, sobrancelha e bigode pintados com tablete Santo Antônio. Ele disse que, como dirigente da sigla, não pode se furtar a concorrer ao cargo majoritário. Quem sabe o PRTB de Minas, diante de tal obstinação, segue o seu exemplo, em vez de montar no cavalo sem sela de Marcio Lacerda, apenas por afinidade fisiológica? Como diria o Chico Buarque: ouça o bom conselho, que lhe dou de graça, inútil dormir porque a dor não passa.
União faz estados reféns com finanças garroteadas
Os gaúchos foram os anfitriões, na última segunda-feira, do encontro regional promovido pela Assembleia Legislativa do RS e a Unale para discussão sobre a necessidade de uma imediata renegociação da dívida dos estados junto à União. Três ex-governadores (Jair Soares, Alceu Collares e Germano Rigotto) participaram do evento com sugestões e críticas ao endividamento crescente dos entes da Federação. O governador Tarso Genro (PT) se engajou no projeto. Ele observou que, nos anos 90, o acordo financeiro com o Governo Federal pareceu positivo, mas hoje a realidade pede uma repactuação com os estados. “Esta luta diz respeito ao conjunto da sociedade”, avaliou. O petista ressaltou que este esforço não é uma questão de governo para governo, mas de estado. “A Federação vai conversar consigo mesmo”, acrescentou. Em seguida, sugeriu a retirada dos valores vinculados (saúde e educação) do orçamento para efeito de amortização da dívida. Na sua opinião, parte do dinheiro poderia ser gasto com investimentos em infraestrutura. Nem precisaria ir a Brasília. Depois de elogiar o espírito histórico de valentia do povo gaúcho, o presidente da Assembleia de Minas, Dinis Pinheiro (PSDB), salientou que são três os problemas do país: saúde pública, dívida dos estados e uma melhor distribuição do bolo tributário. “Minas externa sua capacidade de indignação por um Brasil mais justo”, concluiu o tucano, também presidente do foro dos presidentes de Assembleias Legislativas. Já o presidente da Unale, deputado José Luiz Tchê, reivindicou a redução do comprometimento das receitas estaduais c0m o pagamento da dívida para no máximo 9%. O ex-governador Germano Rigotto, por sua vez, lembrou que, além de não ter feito um centavo de endividamento durante sua gestão, chegou a comprometer em 19,6% a receita líquida com o desembolso da dívida. “É preciso um novo ordenamento financeiro, pois hoje ficou praticamente impossível governar”, afirmou o ex-governador Jair Soares. A Lei de Responsabilidade Fiscal, segundo ele, engessou os estados. Já o ex-governador Alceu Collares disse que se aproxima o momento em que os estados não terão um centavo para novos investimentos. No catolicismo, frisou, houve época em que a cobrança de juros foi proibida, pois considerada usura. O pedetista lembrou que parte destes recursos destinados à União poderia ser deslocado para o pagamento de precatórios, pois os estados acabam vistos como maus pagadores pela sociedade por não cumprir determinação judicial. Uma maioria dos presentes ao evento no sul do país exige a troca do indexador de IGP-DI para IPCA. O conselheiro do TCMG, Sebastião Helvécio, contudo, que deu minuciosa aula sobre o tema para os presentes, pede cautela nesta questão. Sua palavra é a de maior conhecimento e ponderação sobre o tema. Segundo ele, o índice sugerido como novo parâmetro, por vezes, superou o IGP-DI.
Mineiros e sulinos debatem renegociação da dívida
O ex-governador Alceu Collares (PDT), frente e verso, hoje no Conselho de Administração de Itaipu Binacional; o major chefe do Gabinete Militar do governador Tarso Genro, Jair Euclésio Ely; o deputado Adelmo Carneiro Leão (PT), candidato a prefeito em Uberaba; o presidente da Assembleia Legislativa do RS, deputado Alexandre Postal e o ex-governador Jair de Oliveira Soares (PP); o deputado Célio Moreira (PSDB), o presidente da Assembleia de MG, Dinis Pinheiro (PSDB), e o presidente da Assembleia do Pará e mineiro de Nova Módica, Manoel Pioneiro (PSDB), que deixará o cargo para disputar a prefeitura de Ananindeua; o ex-governador Germano Rigotto (PMDB), hoje à frente do instituto que leva o seu nome de estudos políticos e tributários; o deputado Bonifácio Mourão (PSDB) e o ex-prefeito de Porto Alegre e presidente do PT gaúcho, deputado estadual Raul Pont, ambos aniversariantes da segunda-feira (14); os deputados Duarte Bechir (PSDB) e Rômulo Veneroso (PV); o ex-secretário da Fazenda do Rio Grande do Sul, Orion Cabral, a única autoridade financeira a espernear contra o acerto com a União, que deixou os estados de pires nas mãos, pois já discordava do comprometimento do orçamento em até 13% para pagamento da dívida; e o busto em cobre do deputado, senador e ministro da Aeronáutica (1941-1945), Joaquim Pedro Salgado Filho, patrono do Aeroporto Internacional de Porto Alegre.
A sinalização com seta é um gesto civilizado
Por volta das 15 horas da terça-feira (15), enquanto Elis Regina cantava no Bazar do Tutti Maravilha, na Rádio Inconfidência FM, várias foram as ameaças de acidentes nos primeiros quarteirões da Rua dos Timbiras, no Bairro dos Funcionários. A causa das frenagens fortes e assustadoras foi a ausência de acionamento da seta de veículos na mudança brusca de direção. Motoristas homens ou mulheres ligam o foda-se e vão embora. Quem fazia direção defensiva e econômica, dirigindo para os outros e para si, se safou destes quase abalroamentos. A BHTrans, estudiosa do sistema viário da capital, não consegue desenvolver campanha para reeducar os mal educados. Na propaganda que antecede o período eleitoral, entretanto, a autarquia municipal se desculpa pelos transtornos provocados pelo crescimento exponencial da frota de veículos na última década. Ela só não lava as mãos, como Pilatos, diante do caótico trânsito, porque acha que o errado é que está certo.





















